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A vida política da inteligência artificial

  • 14 de jul.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 20 de jul.

Jornal da Ciência - 14 de julho de 2026



Em buscas na internet ou consultas a empresas, você quase sempre encontrará respostas oferecidas pela inteligência artificial (IA). Em período pré-eleitoral, essa dinâmica se torna especialmente relevante. “Analisamos várias IAs e vimos que, se elas sabem o seu posicionamento político, buscam entregar o que você quer ouvir”, afirma o cientista da computação Anderson Rocha, coordenador do Laboratório de Inteligência Artificial (Recod.ai) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os resultados estão em um artigo publicado em maio no site da revista Scientific Reports.


Uma questão é que a maior parte dos modelos de inteligência artificial é construída e treinada com dados de países de alta renda, ocidentais e de língua inglesa – com destaque para os Estados Unidos. “As IAs dependem dos dados com que são treinadas, essas fontes são escolhidas por quem as constrói”, explica o cientista da computação Virgilio Almeida, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Por isso, falham em reproduzir as opiniões dos eleitores brasileiros sobre uma diversidade de temas polêmicos e divergem nessas respostas, como mostra um artigo de seu grupo em avaliação para uma conferência sobre IA, Ética e Sociedade que ocorrerá em outubro na Suécia. Os dados de treinamento podem não ter acesso a informações sobre instituições, o contexto histórico e referências culturais do Brasil. Para investigar a atuação política da IA por aqui, o estudo da Unicamp usou pares de perguntas com sintaxe semelhante para investigar a existência do que classifica como “comportamento de camaleão ideológico” em 21 Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) em opiniões sobre tópicos relevantes: previdência social, segurança, ambiente, entre outros. [...]


De olho na desinformação com objetivos políticos, o pesquisador da Unicamp lembra que os eleitores mais moderados, que representam cerca de 15% do total, são os que definem o resultado. É neles que valeria concentrar uma informação cuidadosa, e Rocha ressalta o papel de publicações como esta: “O fortalecimento do jornalismo é fundamental, mas cada vez é mais questionado.”

No que diz respeito especificamente às eleições presidenciais que se aproximam no País, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que qualquer conteúdo sintético seja claramente identificado. Mesmo assim, a cientista da informação Marie Santini, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vê fragilidade em relação ao ambiente digital. Ela dirige o NetLab, um laboratório dedicado a diagnosticar o fenômeno da desinformação digital e suas consequências sociais no Brasil, que tem como parte de suas atividades o monitoramento de mídias sociais. “O código eleitoral está para ser reformulado há muitos anos e não dá conta da forma como a informação e as campanhas são produzidas, distribuídas e consumidas no ambiente digital atual”, afirma. Por isso, segundo ela, o TSE não tem mecanismos legais para punir. “Estamos muito vulneráveis.”



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