ANTES DO APOCALIPSE: O Brasil e outros países começam a regular as redes sociais, mas o pior está por vir – com a IA
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Piauí - 01 de junho de 2026

Há pelo menos sete anos, Drauzio Varella aparece no Instagram e no Facebook vendendo ora um remedinho para diabetes, ora uma pílula revolucionária contra o câncer, ora uma vitamina milagrosa, ora um suplemento para reumatismo. Remédio para emagrecer? Ele já vendeu produtos similares, muito antes do Mounjaro aparecer. Todos esses anúncios são falsos, sem exceção.
Alguns são feitos por IA, com a imagem e a voz do médico. Se o dr. Drauzio, que é o dr. Drauzio e dispensa apresentação, até hoje não conseguiu eliminar essas publicidades enganosas do Facebook e do Instagram, é possível imaginar o que acontece com os menos famosos. A Meta, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, não tem um departamento dedicado a esse problema, não tem telefone de reclamação, não tem atendente virtual. Não tem nada nem ninguém para resolver as queixas dos usuários. Nem as do dr. Drauzio.
Os documentos mostram ainda que, em vez de banir esses anúncios ou tentar bani-los, a empresa resolveu aumentar o valor cobrado por eles. “Será que combater isso diminui muito significativamente a margem de lucro dessas empresas, a ponto de torná-las muito menos sustentáveis? Pode ser que sim, porque, do contrário, já teriam feito”, diz Marcio Borges, do NetLab da UFRJ, um laboratório de comunicação e tecnologia dedicado a pesquisar as redes sociais e os processos de desinformação.


