Avós, indígenas e monges: como perfis de IA são usados para vender ‘curas’ sem comprovação nas redes
Estadão- 10 de agosto de 2026

Mei Lin Chen tem 73 anos e quase 700 mil seguidores no Instagram. Nascida em Hangzhou, na China, chegou ao Brasil em 1978 e hoje vive em Cotia, na Grande São Paulo, onde cultiva mais de 80 espécies de plantas medicinais.
Na rede social, diz ser especialista em medicina chinesa e vende um livro com mais de 55 “remédios naturais milenares”, prometendo soluções para problemas que, segundo ela, “a farmácia não resolve”. A história é bem construída e a narrativa, um tanto envolvente. Mas tem um detalhe: “Vovó Mei” – como costuma ser chamada – nunca existiu. Foi criada por inteligência artificial [..]
As pessoas por trás dessas contas lucram com a venda de diversos produtos. No Brasil, o foco são os e-books: enquanto Vovó Mei vende o livro digital “Diga adeus aos sintomas que a farmácia não resolve”, a Vó Xayomi, apresentada como uma indígena, promete recuperar a saúde em sete dias com um e-book de poucas páginas vendido por quase R$ 50.
“Isso deixa claro que a desinformação se tornou um mercado que lucra às custas da saúde das pessoas”, avalia Nicole Sanchotene, pesquisadora do NetLab, laboratório de pesquisa na área de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


