Especialista vê IA como desafio de 'grandes proporções' e diz que Justiça Eleitoral está despreparada
Valor Econômico - 14 de agosto de 2026

As eleições de 2026 são as primeiras em que a inteligência artificial está consolidada como uma ferramenta acessível para qualquer usuário. Em uma escala muito superior em relação ao que se viu em 2024, e muito mais barata, a IA tem potencial para amplificar problemas já identificados em eleições anteriores, como desinformação em massa e interferência estrangeira em publicações com conteúdo eleitoral. Combinação que torna o cenário preocupante diante da percepção de pesquisadores de que a Justiça Eleitoral está despreparada e que falta disposição das plataformas para garantir a lisura da campanha, que começa oficialmente neste domingo (16).
“Tudo que existia de problema em 2022 e em 2024 permanece, mas agora tem um ‘boost’ [impulsionamento] que garante escala e uma escala acessível financeiramente”, afirma Débora Salles, coordenadora-geral do NetLab, laboratório de pesquisa da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em entrevista ao Valor.
Salles é uma das pesquisadoras do NetLab, que desde 2013 realiza estudos sobre o impacto social da internet e das redes sociais, e nos últimos anos também pesquisa a desinformação no debate eleitoral. Para ela, a legislação em vigor tem falhas e as plataformas pouco fazem para tornar as redes sociais um espaço transparente e seguro para o debate eleitoral.


