Misoginia no YouTube: 90% dos canais identificados em 2024 seguem disponíveis na plataforma
- 9 de mar.
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Atualizado: 26 de mar.

Atualização do levantamento do NetLab UFRJ sobre misoginia no YouTube identificou que canais mapeados pelo laboratório em abril de 2024 seguem publicando conteúdo e conquistando novos seguidores, dois anos depois da realização da pesquisa.
Rio de Janeiro, 09 de março de 2026
O NetLab UFRJ identificou, em 2024, 137 canais de YouTube que veiculavam conteúdo com discurso de ódio, desprezo, aversão ou controle sobre as mulheres. Estes dados foram publicados no relatório "Aprenda A Evitar ‘Esse Tipo’ De Mulher": Estratégias Discursivas E Monetização Da Misoginia No Youtube. Em 2026, 123 deles seguem disponíveis na plataforma.
Esses 123 canais somavam, em 2024, 19.505.210 inscritos. Hoje, acumulam mais de 23 milhões de inscritos. Ou seja, houve um crescimento de aproximadamente 18,55%, com 3.618.086 novos inscritos.
Atualmente, os canais somam 130 mil vídeos publicados – 25 mil vídeos a mais que o número de 2024, quando somavam 105 mil publicações. Vinte desses canais mudaram de nome desde então, e alguns retiraram referências à machosfera de seus títulos.
No momento da pesquisa inicial, em 2024, os 14 canais removidos somavam 1,37 milhão de inscritos.
Sobre a metodologia
A atualização dos dados foi realizada de modo automatizado, considerando exclusivamente os 137 canais previamente analisados em 2024. A pesquisa foi desenvolvida a partir da combinação de técnicas de análise computacional com análise qualitativa, com a aplicação de um protocolo de investigação elaborado com base em convenções internacionais e na literatura especializada sobre misoginia e violência de gênero no ambiente digital.
Para garantir a segurança das pesquisadoras e evitar a amplificação ou exposição indevida dos criadores de conteúdo analisados, o laboratório não divulga nem disponibiliza publicamente a lista de canais mapeados no estudo. O protocolo metodológico adotado encontra-se detalhado no relatório publicado no site do NetLab UFRJ, podendo ser consultado e replicado por outros pesquisadores.
Sobre o relatório
O relatório de pesquisa “Aprenda a evitar ‘esse tipo’ de mulher”: estratégias discursivas e monetização da misoginia no Youtube”, feito em parceria entre o NetLab UFRJ e o Ministério das Mulheres, investigou a presença de discursos misóginos no YouTube. O estudo mapeou estratégias de monetização desses conteúdos, analisando como canais misóginos geram lucro por meio de anúncios, membros de canais e outros recursos.
A pesquisa utilizou ferramentas avançadas de inteligência artificial para analisar 76.289 vídeos e identificar as comunidades e padrões da “machosfera” brasileira. Também examinou as formas de monetização e sua relação com o conteúdo misógino e discriminatório.


