Na contramão da machosfera, discurso de ódio entra no centro do debate
- 22 de mai.
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Veja Saúde - 22 de maio de 2026

Não por acaso, o debate sobre masculinidade ganhou urgência e será abordado em painéis diversos durante o Rio2C, maior evento de criatividade da América Latina, entre 26 e 31 de maio, na Cidade das Artes. "A ideia é trazer à mesa novos caminhos para as narrativas masculinas no cinema, na TV e no entretenimento", explica Rafael Lazarini, CEO do mega encontro. "Estamos fazendo uma provocação aos criadores repensarem o impacto de suas obras", diz. Entre os destaques da programação está o painel "I Don't Wanna Be a Macho Man": Masculinidades em Cena, que reúne, em 31 de maio, os atores Eduardo Moscovis e Ícaro Silva e o jornalista Ismael dos Anjos para discutir os nocivos modelos que hoje reverberam especialmente nas redes.
Nos últimos anos, a chamada machosfera, comunidade on-line que propaga a dominação masculina e o ódio à ala feminina, ganhou mais adeptos, configurando uma marcha a ré em relação ao conjunto de conquistas que afasta a sociedade da intolerância e do preconceito.
O relatório "Aprenda a evitar esse tipo de mulher": estratégias discursivas e monetização da misoginia no YouTube, do NetLab da UFRJ, identificou em 2024 nada menos que 137 canais veiculando conteúdo que dava voz ao ódio às mulheres no Brasil. Uma atualização do estudo, divulgada em março, mostra que 123 seguem ativos e operantes na plataforma. O discreto recuo, porém, não significa nem de longe que o fenômeno tenha perdido impulso: o número de inscritos nesse sombrio universo, afinal, subiu de 18,5 milhões para 23 milhões, e os vídeos publicados saltaram de 105 000 para 130 000.


