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Quando a desinformação vira arma contra as mulheres

  • 4 de jun.
  • 1 min de leitura

Correio Braziliense - 04 de junho de 2026



Você já deve ter visto vídeos e postagens em que homens afirmam, com toda naturalidade, coisas como: "mulher não foi feita para liderança", "homem é racional, mulher é emocional", "o feminismo destruiu a família". Essas frases costumam ser apresentadas como simples opinião ou, pior, como "verdade científica" ou "vontade de Deus". Nada disso é novo. O que é novo é a velocidade e a escala com que esse tipo de conteúdo circula, se organiza e se monetiza na internet.


Quando pensamos em desinformação, geralmente lembramos de notícias falsas sobre política, saúde ou fraude financeira. Mas a desinformação também é combustível de uma máquina muito mais insidiosa: a máquina do ódio contra as mulheres. Não se trata apenas de metáfora. Estamos diante de um sistema de produção, circulação e monetização de discursos que ameaçam diretamente a cidadania das mulheres e a própria democracia.


A pesquisa do NetLab/UFRJ, realizada em parceria com o Ministério das Mulheres no âmbito do programa Brasil sem Misoginia, tornou esse modelo visível. O estudo analisou 137 canais no YouTube Brasil com conteúdos de ódio, desprezo, aversão ou controle sobre as mulheres. Foram examinados milhares de vídeos, com bilhões de visualizações, milhões de comentários e diferentes formas de monetização, como anúncios, doações, cursos, mentorias e comunidades pagas. É um modelo de negócios construído sobre o ódio às mulheres. E as plataformas seguem respondendo de forma insuficiente à engrenagem que ajudam a monetizar.


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© NetLab UFRJ 2023.  Este trabalho pode ser copiado gratuitamente para fins de ensino e pesquisa não comerciais. Caso queira realizar quaisquer outros usos que infrinjam o direito autoral, contacte nossa coordenação por e-mail.

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