Redes da Meta permitem falsos anúncios de trabalho no Brasil
- 23 de mar.
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Núcleo - 23 de março de 2026

Vaga para auxiliar de limpeza nos Estados Unidos com salário de até US$75 por hora (dez vezes a média do salário dos EUA), sem precisar saber inglês, sem necessidade de experiência, com horário flexível, alojamento fornecido e pagamento em dinheiro. Proposta especialmente direcionada para imigrantes e recém chegados ao país.
Anúncios como esse são impulsionados no Facebook, no Instagram e no Threads para o público brasileiro. Enquanto a Meta aplica filtros rigorosos de transparência para anúncios de emprego em países como Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, essas ofertas operam em um vácuo regulatório no Brasil. Sob a fachada de uma oportunidade imperdível, a descrição da vaga carrega padrões de fraude que o Itamaraty já identifica como o primeiro passo para o tráfico de pessoas.
A busca direcionada por meio da categoria “anúncios de emprego” leva a um número restrito de posts, o que facilita a análise desses anúncios no Canadá e Reino Unido. No Brasil, sem essa categoria, monitorar os possíveis golpes e aliciamentos é como encontrar uma agulha em um palheiro.
Ainda que a categoria de anúncios de empregos fosse implementada no Brasil, pode não ser suficiente para garantir transparência já que a Meta se esquiva da responsabilidade e diz que o dever de categorizar o anúncio é do anunciante, explica Bruno Mattos, coordenador de projetos do NetLab (ECO - UFRJ).
“As plataformas colocam muito peso nos anunciantes, mas não podemos perder de vista que as elas estão lucrando com os anúncios e precisam ser responsáveis por essas etapas de verificação do conteúdo, de aprovação de um anunciante e de todo o ciclo de vida da publicidade, do momento que ele é criado até o momento que pára de circular”, aponta Mattos.
